As proteínas são fundamentais para quem malha. Você pode até ter alguma preferência
em relação a uma marca ou à fonte (seja albumina, whey protein, caseína,
soja, carne, peixe, etc.), mas será difícil encontrar um fisiculturista ou
atleta que não esteja constantemente pensando na sua próxima refeição com
proteína.
A proteína ao ser ingerida é "quebrada" em aminoácidos
no organismo para que possa ser absorvida. De fato, nosso corpo tem uma capacidade
muito limitada de armazenar esses aminoácidos, transformando o excesso de proteína
em outras moléculas ou usando ela como fonte de energia.
Então o grande desafio de quem deseja crescimento muscular é o máximo aproveitamento
da proteína ingerida para que ela possa ser utilizada na construção muscular (anabolismo).
Ingestão Pulsátil de Proteína:
Em alguns estudos, uma pesquisadora chamada Marie Arnal, da França, teve a idéia
de que o organismo poderia aumentar o aproveitamento da proteína através de uma dieta
que concentrasse uma grande parte do consumo diário do nutriente em uma única
refeição.
Foi a partir daí que surgiu o método denominado
ingestão pulsátil de proteína, que consiste no consumo de cerca de 80%
da ingestão diária recomendada de proteínas em uma refeição, e baixar esse consumo ao longo do dia.
Algumas descobertas foram constatadas nessas pesquisas lideradas Marie Arnal e outros pesquisadores. Em mulheres mais
velhas (em torno dos 70 anos), houve maior aproveitamento de proteína com a
ingestão pulsátil do que com a dieta que divide a proteína pelas refeições
(54 ± 7 comparado com 27 ± 6 mg N/kg FFM/dia).[1]
As taxas de circulação da proteína também
foram maiores com a dieta baseada na ingestão pulsátil do que em comparação
com a dieta que divide a proteína, principalmente por causa de uma síntese
maior de proteína naquele grupo.
A mesma experiência foi realizada com mulheres de 26 anos. [2] Surpreendentemente, eles descobriram uma mudança
muito pequena no aproveitamento da proteína com a ingestão pulsátil nessas
mulheres mais jovens.
Em outro estudo descobriu-se que os efeitos da ingestão pulsátil de proteína
persistem mesmo após o término da dieta. Houve um melhor aproveitamento da
proteína depois que tanto as mulheres jovens como as mais velhas pararam com a
ingestão pulsátil de proteína e voltaram à sua alimentação normal. [3]
Em outras palavras, seus organismos aproveitaram
melhor a proteína ingerida para a construção de massa muscular (anabolismo)
depois do período em que fizeram a ingestão pulsátil de proteína.
Portanto, em resumo, essa pesquisa mostrou que em indivíduos que estão
envelhecendo, a ingestão pulsátil de proteína (isto é, ingerir a maior parte
da sua proteína diária em apenas uma refeição) pode levar a maiores ganhos
de massa muscular com o tempo, porque isso irá aumentar o efeito anabólico de
uma refeição rica em proteína e reduzir o catabolismo depois, caso a ingestão
de proteína seja reduzida durante o restante do dia.
Voltando ao estudo feito com mulheres de 26 anos, ele nos leva a crer que
ingerir proteína durante todo o dia em pequenas quantidades ou comer um monte
de proteína em uma refeição grande não faz uma diferença significativa no
aproveitamento da proteína para indivíduos jovens.
Isso faz sentido quando pensamos em como os organismos têm evoluído para
garantir a sobrevivência (isto é, alterando o metabolismo de acordo com a
ingestão de nutrientes).
Nesse contexto pode ser que toda preocupação
que os fisiculturistas e os atletas têm sobre quando e onde será a sua próxima
refeição com proteína seja à toa.
Pode ser que seja mais anabólico ingerir
quantidades maiores de proteína após o treinamento (aprox. 80% do total diário)
e manter essa proteína em torno de 10-12% nas refeições seguintes.
Com o tempo discutiremos mais sobre esse assunto e, talvez, a ingestão
pulsátil de proteína se torne uma alternativa mais viável no lugar de ingerir
proteína continuamente durante todo o dia.
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